As lutas na Educação Física Escolar: Capoeira

Filme indicado: Esporte Sangrento de 1993, estrelado por Mark Dacascos.

Sinopse: Louis Stevens (Dacascos) é um ex-fuzileiro americano que, quando estava em missão no Brasil, acaba aprendendo capoeira com seus novos colegas brasileiros. Após retornar aos EUA, Louis visita sua antiga escola e vê que ela é ameaçada por gangues, traficantes e marginais. Com a ajuda de seu antigo professor (Lewis) e de sua antiga namorada (Travis), ele cria um projeto onde ensinaria a arte da capoeira aos piores alunos do colégio. Mas Silvério (Prieto), o chefão da gangue local, pretende fazer frente ao capoeirista e usar suas habilidades e de seus pupilos para outros propósitos.

Ao contrário do que sugere o título do filme em português, a história vai muito além da Capoeira como luta ou um esporte sangrento, ela mostra a força que esta prática exerce sobe a vida de quem a pratica, como disciplina e respeito ao próximo. Louis ensina a seus alunos (considerados os mais perigosos da escola), que a Capoeira é paz e que eles podem usá-la para o bem e também para terem uma vida melhor, longe das drogas e do tráfico, ao qual eles pertenciam. 

Artigo: Capoeira na Educação Física Escolar

RESUMO

Este artigo tem como objetivo analisar e discutir a proposta da utilização do tema Capoeira na Educação Física Escolar para a disciplina de Educação Física no ensino médio.A escolha do tema surgiu da idéia de abordar assuntos e conteúdos que são poucos utilizados nas aulas de Educação Física Escolar, de modo a trabalhar através das aulas e tais assuntos o desenvolvimento integral do aluno. Este trabalho foi realizado na Escola de Ensino Médio Henrique da Silva Fontes, com duas turmas de 1º ano do Ensino médio, Sendo assim o objetivo geral deste trabalho foi proporcionar atividades práticas para as aulas de educação física que visassem uma reflexão sobre a capoeira na escola e a capoeira da escola. A partir dos dados analisados, encontramos alguns pontos importantes a serem tratados nesse trabalho sobre a capoeira na e da escola que são: Dos significados e valores presentes da capoeira na e da escola; Proposta da Educação Física no Projeto Político Pedagógico; Fatores Limitantes da Pesquisa.

Palavras-Chave: Educação Física, Capoeira da Escola, Capoeira na escola.

INTRODUÇÃO

A Capoeira inicialmente foi inserida na escola como uma atividade extracurricular, ganhou seu espaço nos currículos escolares através dos parâmetros curriculares nacionais da educação física (PCN), como parte dos conteúdos de lutas presentes na Educação Física Escolar.

Se realmente a capoeira deve ser inserida como parte do conteúdo da Educação Física, nos leva a pensar e questionar, sobre a sua contribuição para a formação dos alunos no contexto escolar, já que a mesma é oferecida como atividade extra-escolar e também é oferecida por mestres de capoeira em outros ambientes fora da escola.

Partindo dessa idéia surgem alguns questionamentos: Quais as características da capoeira da e na escola*? Quais os objetivos e princípios que fundamentam a capoeira da e na escola? Será que a capoeira deve ser introduzida no ambiente escolar da mesma forma que é praticada em outros ambientes? Será que existe diferença da capoeira na escola e capoeira da escola? São questionamentos esses que nos norteiam e que tentamos responder com essa pesquisa.

Nossa proposta ao trabalhar capoeira na educação física escolar vem da necessidade de estarmos contribuindo para a ampliação dos conhecimentos que a capoeira pode proporcionar, partindo do pressuposto de que a capoeira não é apenas um saber que se traduz num saber fazer, num realizar “corporal”, mas também é um saber sobre este realizar corporal. (BRACHT, 1996).

Com essa temática de pesquisa, junto ao problema proposto, buscamos legitimar a importância de sua prática na escola, enquanto conteúdo da educação física e componente da cultura corporal de movimento, por se tratar de um tema também presente nos PCNs da educação física.

As lutas são disputas em que o (s) oponentes (s) deve (m) ser subjugados (s), mediante técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica, a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Podem ser citados como exemplo de lutas desde as brincadeiras de cabo-de-guerra e braço-de-ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e do caratê. (BRASIL, 2001, p. 49).

Além de tentarmos legitimar a prática da capoeira na escola, procuramos levantar questionamentos à cerca das metodologias aplicadas a sua prática em diversos ambientes, e independente dos mesmos tentaremos identificar suas finalidades e objetivos que acreditamos ser distintos.

Para um melhor entendimento da nossa proposta, trabalhamos em nossas intervenções na escola em duas perspectivas. Sendo que em uma delas trabalhamos a capoeira baseada na perspectiva de um profissional da EF que já houvesse previamente uma vivência da prática de capoeira e na outra perspectiva, de um professor ou mestre de capoeira, onde utilizamos livros fundamentados nos métodos do mestre Bimba.

Este trabalho foi realizado na Escola de Ensino Médio Henrique da Silva Fontes, com as turmas de 1º ano do Ensino médio, a primeira visita teve objetivo de conhecer o ambiente de ensino, como também conhecer as normas da escola, de modo a interferir o menos possível na rotina da mesma.

“A prática educativa, e especialmente os objetivos e conteúdos do ensino e o trabalho docente, estão determinados por fins e exigências sociais, políticas e ideológicas”. (LIBÂNEO, 1995, p. 18). Ao estudar e verificar as finalidades da educação física que se encontra presente nos PCNS do ensino médio partimos da proposta do tema Capoeira na Educação Física escolar, selecionando uma série de conteúdos e objetivos que não saiam das normas e particularidades da estrutura social, isso não significa que o professor deve simplesmente copiá-los, mas sim posicionar-se criticamente em relação a eles e adaptá-los ao contexto que o cerca.

Problema

Quais os diálogos (diálogos no sentido de diferenças e semelhanças presentes) possíveis da capoeira na e da escola?

Objetivo Geral

Proporcionar atividades práticas para as aulas de educação física que visassem uma reflexão sobre a capoeira na escola e a capoeira da escola.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Unidade 1: Conhecer os elementos que compõe a capoeira na escola; Vivenciar a o ensino da capoeira na escola.

Unidade 2: Conhecer os elementos que compõe a capoeira da escola; Ampliar os conhecimentos da capoeira, a partir do que eles já conhecem; Apropriar-se criticamente da capoeira da escola;

CAPOEIRA

A origem da capoeira está vinculada a uma série de fatores, nosso objetivo aqui não é aprofundarmos na história, mas sim mostrar a capoeira como uma manifestação dos negros na luta pela sua emancipação no Brasil.

Considerando o corpo como parte da cultura, os povos escravizados trazidos de várias partes da áfrica através dos navios negreiros trouxeram consigo, culturas, crenças e hábitos diferentes daqueles encontrados no Brasil com sua chegada. Talvez os povos africanos de várias regiões com suas culturas distintas (lutas, danças, instrumentos musicais e rituais) uniram-se e criaram uma nova cultura. “Tal mistura talvez explique porque no continente africano não surge a capoeira da maneira como conhecemos no Brasil, a não ser no decorrer dos últimos anos a ida de brasileiros que para lá foram fomentar a prática”. (Santos, 2005, p. 45).

Diferente do que se tem hoje, à capoeira nos tempos de escravidão pode-se dizer, que surgiu da necessidade dos escravos se libertarem do regime de escravidão existente da época: “Tinham em seu próprio corpo uma arma, arma perigosa e de combate, mandinga de negro que ao mesmo tempo era luta nas horas de combate, também era dança, jogo, brincadeira nos momentos de festa ou de descanso em que se divertiam”. (SANTOS, 2005). Desse modo à capoeira incorpora em sua prática, outras características e significados que não se restringe apenas em luta, talvez esse duplo caráter foi à maneira utilizada para justamente enganar, esconder, disfarçar uma prática que poderia para alguns tornar um perigo para a sociedade da época e para os escravos uma prática de defesa, defesa que surge da necessidade da liberdade. É considerado um bom capoeira aquele que utiliza esse duplo caráter, aquele capoeira que tem mandinga, tem malicia é uma técnica e faz parte dessa luta-dança-jogo: fingir, enganar, mostrar que não acertou porque não quis. “Essas qualidades se sobrepõem à força física e são bastante exploradas na tentativa de levar o companheiro de jogo a cometer um” vacilo “(grifo dos autores) para poder atacar” ( FALCÃO, SILVA, ACORDI, 2005, p. 19).

Outra característica da capoeira é quando ela inverte a lógica de se colocar, inverte os pés pela cabeça, mãos pelos braços são acrobacias esquisitas que segundo (SANTOS, 2005, p. 55) talvez trata de:

[...] uma vontade de rir de si próprio, caçoar de si mesmo, são poucas as situações em que nos é permitido errar e dar risadas disso. O corpo festeja isso, celebra no momento em que não há erros ou vergonhas. Tais “anormalidade” proporcionam um caráter libertário ao sujeito e à prática. Como se o corpo dissesse para quem ousa questioná-los: “você não manda em mim, faço o que bem quiser… Quer você goste ou não…”. Um desejo de liberdade que confronta a ordem estabelecida.

Uma linguagem verbal e corporal que se manifestam na prática, linguagem verbal através do canto, um papel importante na transmissão de saberes que agradece pela vida, agradece a deus, agradece ao mestre, como também pode tratar de uma homenagem aos antepassados, a história, a saudade de sua terra, a música representa no corpo uma reação de tal forma que faz o movimentá-lo, é comum estarmos em algum lugar onde tem música tocando que não nos faz acompanhar aquele ritmo, às vezes com as mãos outras com os pés, é natural do ser humano acompanhar o ritmo seja qual for ele, pois ele excita e impõe desejo de se movimentar.

Capoeira Regional

A capoeira regional foi criada por Mestre Bimba (Manoel dos Reis Machado), nasceu em Salvador em 1900, começou a treinar capoeira aos doze anos com um capitão da Cia. baiana de navegação chamado bentinho de origem africana. Bimba é/era conhecido como um exímio lutador temido e valente.

Amado afirma que o surgimento da capoeira regional ocorre quando:

“[...] Bimba foi ao Rio de Janeiro mostrar aos cariocas da Lapa como é que se joga capoeira. E lá aprendeu golpes de catchas-can-catch (sic), de jiu-jitsu, de box. Misturou isso tudo a capoeira de angola, aquela que nasceu de uma dança dos negros e voltou a sua cidade falando numa nova capoeira, a capoeira regional”.( AMADO apud Vieira, 1998, p. 15).

A Seqüência de ensino do Mestre Bimba conhecida como Regional Senzala apresenta sistematicamente a prática dos Golpes básicos e movimentações existentes na capoeira, os golpes podem ser treinados de maneira fragmentada, ou seja, somente o golpe sem o jogo; os golpes podem ser divididos em desequilibrantes, esquivas e básicos.

Entre os golpes básicos podemos citar o exemplo do martelo, benção, meia lua de compasso, armada, queixada. Alguns dos golpes desequilibrantes são: A rasteira, Banda em pé, negativa derrubando, negativa com tesoura, arrastão boca de calça, cruz e banda de costas. Entre as esquivas podemos citar: a cocorinha, resistência, queda de quatro e esquiva. O método utilizado por mestre Bimba pode apresentar os golpes divididos em ataques e defesas simulando de antemão o jogo de capoeira.

Os golpes básicos para que aconteça o chamado jogo de capoeira, podem ser treinados separadamente do jogo, mais sua principal finalidade é utilizá-los dentro da roda de capoeira, porém podem e devem ser treinados em duplas principalmente fora da roda de maneira na qual, quem os pratica entre na roda já sabendo utilizá-los.

Lembrando que para contemplar o jogo ou a roda de capoeira, meramente dois jogadores não é o suficiente, existem elementos e rituais que caracterizam a roda que segundo (CAPOEIRA, 1998, p. 81 e 84) são: “O berimbau que cria o clima e dita o tipo de jogo que vai acontecer”; Os cantos, que “Neles se encontram uma série de ensinamentos, um código de conduta e a base de uma filosofia de vida”.

“Capoeira Da e Na Escola”

As aulas de educação física hoje na maioria das escolas se tornaram uma atividade qualquer e diferentemente das outras disciplinas, ela é desvalorizada enquanto componente curricular da escola, desse modo à disciplina de educação física na maioria das escolas tornou-se de certa forma uma obrigação rotineira, principalmente no ensino médio que talvez atribua como sendo o seu principal objetivo da educação física aplicar uma avaliação para que o aluno alcance a média.

“Nas escolas, embora já seja reconhecida como área de conhecimento essencial, a educação física ainda é tratada como “marginal”, que pode, por exemplo, ter seu horário “empurrado” para fora do período que os alunos estão na ou alocada em horários convenientes para outras áreas e não de acordo com as necessidades de suas especificidades”. (BRASIL, 2001, p. 24).

A proposta de inserir a capoeira como conteúdo vem da necessidade de abordar assuntos que são poucos ou não utilizados nas aulas de educação física, de modo a considerar o desenvolvimento integral do aluno. Pois é de suma importância, proporcionar práticas de atividades físicas pautadas na reflexão e não somente na execução e reprodução dos gestos presentes na cultura corporal, não quer dizer que se deve abandonar a prática pela teoria, mas tentar aproximar ao máximo a teoria da prática e a prática da teoria, também enfatizado por Kunz ao abordar a sua proposta de ensino e mudança “Para adquirirem uma competência social e um agir independente através do processo de ensino, os alunos deverão adquirir também determinado Saber, determinados conhecimentos que, sem dúvida, não podem ser alcançados somente pelo fazer prático” (2001, p. 190).

Com a inserção da capoeira na escola ela passa a incorporar talvez significados, valores, objetivos e finalidades que acreditamos serem distintos daqueles praticados em outros ambientes. Partindo desse pressuposto, não querendo desvalorizar a importância da capoeira praticada em outros ambientes, as pedagogias críticas da educação física nos fazem refletir sobre como atuar e ampliar o sentido fechado, reduzido e limitado das demais práticas corporais, entre elas a capoeira, trabalhadas na Educação Física Escolar, portanto essas críticas surgem na área da Educação Físicade modo a se pensar como o esporte de rendimento se tornou ao longo dos anos como a única “[...] solução quase que natural de toda a problemática do Movimento Humano” (FRANKFURTER, 1982 apud KUNZ, 2001, p.185). Ao ampliar essa concepção da Educação Física a capoeira pode ser considerada como instrumento para o processo de ensino e aprendizagem para as aulas de educação física contribuindo também para essa transformação didático/pedagógica da educação física e do esporte. Nessa proposta de ampliação dos conhecimentos, uma prática tão rica como a capoeira não deve levar em consideração somente os aspectos físicos do movimento humano, mais também os aspectos históricos, culturais e sociais que devem ser explorados durante o processo ensino/aprendizagem da mesma.

Um ponto importante no aprendizado da capoeira é a projeção dos acontecimentos e atividades da roda de capoeira para a vida cotidiana dos alunos, facilitando, assim, o entendimento do cotidiano do mundo. Um exemplo é a chamada “rasteira”, o aluno deve entender que levar uma rasteira não é humilhação e sim um aprendizado, pois aquele que leva a rasteira não deve sentir-se derrotado e sim aprender que a queda faz parte da capoeira e da vida, sendo uma boa oportunidade de discussão com os alunos sobre o cotidiano, projetando a rasteira levada na roda para as possíveis “rasteiras” que se leva na vida.(SOUZA, OLIVEIRA, 2001, p.45-46).

Por fim nossa proposta de inserir a capoeira como conteúdo da educação física escolar é fazer dela não somente uma prática de atividade física que tenha um fim em si mesma, mas também mostrar que podemos alcançar outros objetivos que contribuam para a formação dos alunos de modo a pensar numa educação pelo movimento.

Metodologia

Este trabalho como descrito anteriormente foi realizado na Escola de Ensino Médio Henrique da Silva Fontes, com duas turmas do 1º ano do Ensino médio, no período entre 03/09/2009 até 20/10/2009, num total de doze intervenções. A turma 05 da escola era composta por 27 alunos, sendo que vinte e um alunos são do sexo masculino e seis do feminino, enquanto que a turma 09 era formada por quatorze integrantes do sexo feminino e quatorze do sexo masculino no total de 28 alunos.

A coleta de dados se deu a partir da utilização da pesquisa qualitativa. Através dela utilizamos 1 plano de ensino, 13 planos de aula e conseqüentemente 13 relatórios de campo que nortearam toda a nossa pesquisa e análise de dados.

O objetivo geral da instituição segundo o que estava descrito no documento é: “Desencadear um processo ensino-aprendizagem em qual a comunhão dos vários conhecimentos culturais (visão de mundo dos alunos) e científicos (saber acumulado) contextualizados socialmente possam contribuir na construção de indivíduos capazes de transformar as relações sociais com as quais convivem e das quais participam”.

Outro ponto que julgamos ser importante foi o da organização da escola que no caso “organiza-se em séries anuais dividido em dois semestres letivos, compreendendo períodos regulares Matutino, vespertino e noturno e por dependência em duas disciplinas conforme o projeto da dependência. O calendário escolar está de acordo com as peculiaridades locais. A carga horária mínima anual será de oitenta horas, distribuídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, para as séries”.

Todavia ficou fácil perceber que as obrigações que competem ao corpo docente da escola estão bem descritas, entre as ações e deveres dos professores estão:

Ministrar aulas com responsabilidade, competência e assiduidade; Participar da elaboração, execução e avaliação do PPP; Elaborar o seu planejamento de acordo com o PPP; Propiciar a aquisição do conhecimento científico, erudito e universal; Promover uma avaliação continua, acompanhando e enriquecendo o desenvolvimento do trabalho do aluno elevando-o a uma compreensão cada vez maior sobre o mundo e sobre si mesmo.

As aulas do período vespertino começavam as treze e trinta e terminavam as dezessete e trinta com um intervalo de quinze minutos para o recreio, cada aula tem a duração de quarenta e cinco minutos.

Com os objetivos que escolhemos em nosso trabalho desenvolvemos os conteúdos que se dividiram em duas unidades: Unidade 1 – Introdução à capoeira; Movimentação: Ginga e golpes básicos da modalidade; Musicalidade: canto responsório, instrumentos; Unidade 2 – Movimentação: ginga e golpes básicos da capoeira; musicalidade: A instrumentação, cantigas da capoeira.

As estratégias que utilizamos para alcançar os objetivos propostos foram também divididas em suas unidades: Unidade 1 – Aula expositiva; Aulas práticas vivenciadas; Unidade 2 – Aulas expositivas dialogadas; Debates em grupo, Problematização das atividades; Reconstrução e ampliação coletiva do conhecimento; Aulas práticas.

Quanto às avaliações utilizadas foram: Unidade 1 – circuito de capoeira: os alunos deverão executar os golpes conforme o que é solicitado pelos estagiários; Unidade 2 – Prova avaliativa: reconhecer os instrumentos que fazem parte da capoeira, os toques mais utilizados na roda de capoeira e dizer de que forma a capoeira é importante para a sua vida.

ANÁLISE DE DADOS

Alguns pontos em destaque de nossas intervenções na Escola de Ensino Médio Henrique da Silva Fontes estão aqui destacados e merecem ser discutidos e refletidos, pois desta forma contribuíram para ampliarmos a visão sobre a área da Educação Física.

Os conteúdos desenvolvidos na educação física não devem se reduzir apenas há um saber fazer, mas também um saber sobre este fazer, já discutido anteriormente, deste modo cabe ao professor a tarefa de ser pesquisador, motivador, amigo, mediador do conhecimento, ser professor também é ser aluno, pois acreditamos que a Educação se dá através do dialogo entre duas pessoas ou grupo de pessoas, todos aprendemos com alguém e com o meio em que vivemos, situações estas que estão intimamente ligadas ao professor, que de modo geral fazem parte da prática pedagógica.

Salientamos em nossa problemática a questão referente aos diálogos possíveis ou existentes entre a capoeira da escola e a capoeira na escola, e aqui partimos para a discussão acerca dessa problemática, que abrangeu alguns elementos que foram analisados e discutidos tendo em vista fatores que interferiram e outros que contribuíram em nossas buscas por respostas a campo, são eles:

Dos significados e valores presentes da capoeira na e da escola.

Essa questão foi discutida em algumas aulas, em que levamos músicas e a partir delas procuramos dialogar sobre os valores e significados que a música de capoeira trás consigo. As músicas trabalhadas em nossas aulas contribuíram para as discussões da capoeira da e na escola, onde utilizamos músicas presentes no cotidiano da capoeira praticada em outros ambientes fora da escola, de modo a pensar que talvez alguns valores de suma importância para formação da cidadania não estejam sendo trabalhados de maneira crítica.

Estes devem ser estudados e analisados contribuindo para melhores escolhas das músicas que escutamos tanto no dia a dia como na capoeira.Como um relato presente em nosso relatório sobre a interpretação da música – A capoeira é algo Brasileiro, é uma luta que pode levar a morte, é de matar. (aluno de 1º ano). Questões essas que devem ser discutidas tanto fora como dentro da escola. Sendo papel tanto do mestre de capoeira como do professor de educação física se apropriar criticamente das músicas, de modo a pensar se a mesma irá contribuir com resultados positivos ou negativos para a formação da cidadania.

Desse modo além dos aspectos negativos, à música da capoeira trás consigo um:

[...] papel importante na preservação e transmissão dos saberes. Através das músicas pode-se transmitir e perpetuar a memória da capoeira. São vários exemplos de cantigas que referem ao processo de escravidão, ao sofrimento do negro e da negra escrava, aos antigos Mestres de capoeira etc. (SANTOS, 2005, p. 65).

É fundamental trabalharmos na educação física, tendo em vista um novo olhar para a disciplina, ampliando a educação do movimento e pelo movimento. “Faz-se necessário, na escola, que estas temáticas privilegiem outros valores fundantes para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária, como a solidariedade, a cooperação, o respeito, a amizade, etc”. (FALCÃO, 2006, p. 56).

Falando-se nos diálogos possíveis existentes da capoeira da e na escola podemos dizer que: a capoeira da escola tem por objetivo não apenas a apropriação dos movimentos da capoeira, mas também uma reflexão sobre o mesmo assim lhe atribuindo uma educação não só do movimento, mas também pelo movimento, e se tratando da capoeira na escola pensamos que possa também ter tais objetivos, pois “[...] muitos grupos de capoeira passam a defender uma proposta de trabalho na qual o respeito e a ética têm lugar garantido”.(SILVA, HEINE, 2008, p.36).

Porém acreditamos que alguns grupos de capoeira fora da escola passam a incorporar em sua prática uma concepção que deve permanecer longe do contexto escolar que se baseia em aprendizagem da capoeira para violência como destaca Silva e Heine:

Se o professor é violento, os alunos tendem a seguir o seu exemplo, já que ele é o líder e, portanto, o modelo e a referência para os seus liderados. Adolescentes e jovens em processo de formação e construção de seu caráter são facilmente influenciados por mestres de capoeira que apresentam condutas violentas. (2008, p.36-37).

Portanto a partir desta discussão a cerca da inserção da capoeira na escola, fica evidente que a escola é um espaço privilegiado para tratar das questões referente aos valores diversos em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.

Nesta perspectiva aqui apresentada o resultado do ensino da capoeira vai depender das características pessoais atribuídas pelo mestre de capoeira ou professor de Educação Física:

Cabe ao profissional, com compromissos e interesses pedagógicos/educaionais, buscar uma integração permanente com as teorias que fundamentam este trabalho no sentido de poder ampliar, redimensionar e exercitar a capoeira, dentro de uma perspectiva realmente critica, buscando identificar a sua relevância sociopolítica, no contexto educacional como um todo, ampliando-a de um conceito restrito, que se refere apenas ao treino, a competição e ao rendimento esportivo, para um conceito amplo. (FALCÃO, 2006, p.58-59).

Com relação às características da capoeira da e na escola fica evidente que a capoeira da escola deve atender de imediato aos objetivos que permeiam no Projeto Político Pedagógico (PPP) de cada instituição de ensino que será discutido posteriormente, sendo estes redirecionados diretamente na prática do professor de Educação Física.

Por outro lado à capoeira na escola e de outros ambientes é fundamentada muitas vezes por mestres que incorporam em sua prática valores que nem sempre correspondem a valores que devem ser ensinados na escola, como destaca Silva e Heine citado acima.

Proposta da Educação Física no Projeto político Pedagógico (PPP)

A inserção da proposta da Educação Física no PPP é um ponto que merece ser discutido, pois, “notoriamente o PPP era do ano de 2007, e conforme tal, não está incluso a disciplina de EF, o que de certa forma nos deixou um pouco intrigados, já que a instituição faz transparecer formada por membros realmente interessados e compromissados com a Educação”. (relatório de visita, dia 03/09/2009). Porém no plano de ensino do Professor de EF da escola, há uma adequação aos objetivos gerais da escola. Isso nos faz refletir, qual papel que a EF como disciplina curricular ocupa para com a instituição de ensino? Assim como a EF, a capoeira também deve ser inserida no PPP, papel esse que deve ser discutido pelas pessoas envolvidas com a educação nessa instituição (comunidade, professores, diretores, funcionários enfim é do interesse de todos), nesse contexto não negligenciando os valores, os objetivos e os propósitos da instituição como um todo. Portanto a capoeira deve adentrar na escola como proposta:

[...] não só aos professores e mestres de capoeira, como também aos professores das escolas, é uma quebra de paradigma, afim de que a capoeira realmente esteja integrada ao contexto, a dinâmica e a cultura escolar, para que haja uma efetiva relação com as demais disciplinas escolares. (SILVA, p.42, 2008).

Pois é fundamental enfatizarmos que a capoeira deve ser inserida na escola junto à proposta política pedagógica da mesma. Tanto a capoeira ensinada pelo mestre de capoeira quanto à capoeira ensinada pelo professor de educação física.

Com as nossas intervenções percebemos o quanto à capoeira é educadora, utilizando a partir da mesma, não somente como conteúdo, mas também como estratégia. A capoeira tratada como estratégia diz respeito ao processo educativo que a mesma também pode proporcionar, no âmbito conceitual, procedimental e atitudinal, como Silva também aborda em seu livro:

Acreditamos que a capoeira é uma grande educadora e tem um papel muito importante no processo educativo do ser humano, seja criança, adolescente, adulto ou idoso. A capoeira pode nos educar se nos deixamos nos envolver por ela, com seus rituais, seus movimentos, sua história, sua música, sua filosofia, seus mestres, professores e camaradas na roda. (2008, p.55).

Assim sendo a capoeira como meio estratégico, podemos problematizar, questionar e refletir situações do cotidiano escolar e social, pois a capoeira pode transmitir valores como “[...] respeito, sinceridade, dignidade, lealdade, verdade, solidariedade e cooperação, valores dos quais a humanidade em geral está bastante carente nos últimos tempos” (SILVA, p. 55, 2008).

Valores estes citados acima que devem estar atrelados aos objetivos da escola, tendo em vista que:

[...] os objetivos gerais e suas implicações para o trabalho docente em sala de aula o professor deve conhecer os objetivos estabelecidos no âmbito do sistema escolar oficial, seja no que se refere a valores e ideais educativos, seja quanto às prescrições de organização curricular e programas básicos das matérias. (LIBÂNEO, 1995, p. 123).

Por fim o que percebemos na maioria das escolas, é que esses objetivos são postos apenas em um documento para ser guardado e esquecido durante o ano letivo, além disso, o que está posto no Projeto Político Pedagógico da Escola, geralmente foi escrito por apenas por um membro da instituição ou muitas vezes copiado de um documento superior como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Vale ressaltar ainda que esse documento deva ter participação coletiva de todos os envolvidos na instituição, isso não se restringe apenas aos profissionais da escola, mas de toda uma comunidade que dela fazem parte.

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Fatores Limitantes da Pesquisa

Com relação aos conhecimentos prévios dos alunos, constatamos através de perguntas na aula diagnóstica que a maioria do grupo não conhecia e nunca teve aula prática de capoeira.”Percebemos que foram poucos os alunos que conheciam ou já praticaram a capoeira, apenas quatro nos falaram que sim”. (relatório do dia 05/09/09). Perguntamos também nesse dia sobre as aulas de educação física, o que faziam e praticavam na mesma? “[...]nos falaram que praticavam futebol, voleibol, xadrez, tênis de mesa e alguns conteúdos teóricos, como esse semestre os temas são: saúde pública, violência urbana, qualidade de vida entre outros”. (relatório do dia 05/09/09)

Desse modo à capoeira surgiu como uma nova proposta para as aulas de educação física ficou evidente que a dificuldade na aceitação de tal tema por parte dos alunos, que não tiveram uma vivência da capoeira anteriormente.E esse talvez foi um dos motivos que dificultaram a aplicação desse tema no ensino médio na Escola Henrique da Silva fontes, diferentemente da motivação de dois garotos que encontramos na rua perto da Univali, fato este descrito em um dos relatórios:

Na volta a Univali encontramos dois garotos na faixa dos 09 a 10 anos, estávamos com o berimbau, e percebemos a observação dos meninos para o instrumento, como também para nós, então que fomos até eles e convidamos se queriam fazer um jogo de capoeira, chegamos a pensar que eles não iriam topar, ma sim, então começamos a tocar o berimbau, de modo que as duas crianças começaram a jogar, esse dia foi muito gratificante para nós. E passamos a refletir Sobre o contato da capoeira desde cedo, despertando o interesse futuro pela prática, e como a maioria dos alunos do ensino médio nunca tiveram contato com a capoeira, Talvez seja um dos motivos da dificuldade no estágio. (Relatório do dia 06/10/09)

De fato o que queremos deixar claro sobre esta reflexão é que os diálogos e as respostas adquiridas nesta pesquisa ficaram em nosso ponto de vista reduzidos ou modificados em termos de expectativa, tendo em vista em que o tema escolhido era dirigido ao público de uma faixa etária menor que o esperado, e talvez essa problemáticaseria melhor respondida com nossa prática ( intervenções), com alunos das séries iniciais do ensino fundamental, já que é uma faixa etária onde os alunos se encontram mais “motivados e espontâneos” para a brincadeira.

O que mais importa é o aluno e suas relações com o conteúdo proposto. O educador é convidado a mediatizar essa relação, onde, coletivamente, professor e aluno, identificarão seus elementos significativos centrais. Uma vez identificados, através da experiência, do estudo, da reflexão e do dialogo, vale conceber arranjos e sugestões de aprendizagens que envolvam esses elementos principais.(FALCÃO, 2006, p.60).

Partindo do pressuposto que a escola é um ambiente imprevisível, várias são as adversidades as quais se encontraram presentes em nossas intervenções, também a pouca experiência na área foram pontos importantes para as mudanças de estratégias através de reflexão sobre a nossa prática pedagógica, surgindo até outras problemáticas não relacionadas ao problema de pesquisa como descrito no relatório do dia15/09/2009:

Ficou evidente nesse dia, que alguns alunos estavam desmotivados a aprender enquanto que outros motivados, talvez nosso objetivo fosse atrair, aproximar os alunos que estavam desmotivados, de modo a não desprivilegiar aqueles alunos que estavam motivados, conseqüentemente modificando os procedimentos metodológicos.

CONCLUSÕES

De um modo geral podemos perceber ao abordar tantas questões no decorrer do processo de pesquisa sobre a capoeira da e na escola e seus respectivos diálogos possíveis, podemos concluir que podem ser vários, isso vai depender dos objetivos da instituição, do próprio professor de Educação Física ou mestre de capoeira ao ter iniciativa de adequar o tema capoeira aos objetivos propostos no Projeto Político Pedagógico.

Desse modo à capoeira ao adentrar espaços educacionais ela deverá ser tratada não somente como conteúdo, mais como estratégia para atingir objetivos pertinentes a tal instituição.

Se através da capoeira da e na escola podemos dizer que são vários os diálogos, porém, fica uma dúvida: será que existe diferença da capoeira da e na escola? A partir do nosso estudo, chegamos a uma conclusão que a capoeira é a mesma, o que será diferente ou talvez não seja, é a postura do professor de educação física ou mestre de capoeira perante essa arte, dança, luta ou jogo. Portanto os princípios e objetivos de cada profissional ao tratar da capoeira é muito subjetivo, vai do profissional com empenho e dedicação, fazer de sua prática uma ótima oportunidade para tratar de assuntos tão alocados na vida cotidiana que merecem ser discutidos e analisados. Assim sendo a capoeira pode ser um bom instrumento para a transformação da sociedade, visando a igualdade e justiça social.

REFERÊNCIAS

BRACHT, Valter. Educação física no 1°. Grau: conhecimento e especificidade. Rev. Paul. Educ; São Paulo, Supl. 2, p.23-28, 1996.

BRACHT, Valter. Educação física & ciência: cenas de um casamento (in)feliz. 2. ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2003.

BRACHT, Valter. Esporte na escola e esporte de rendimento. Rev. Movimento. Ano VI – n° 12 – 2000/1

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: educação física. Brasília: Secretaria, 2001.

CAPOEIRA, Nestor. Capoeira: pequeno manual do jogador. 4º ed. Rio de Janeiro: Record, 1998.

FALCÃO, José Luiz Cirqueira; SILVA, Bruno Emmanuel Santana da; ACORDI, Leandro de Oliveira. Capoeira e os passos da vida. In: SILVA, Ana Márcia; DAMIANI, Iara Regina (Orgs) Práticas corporais. Florianópolis: Nauembu Ciência & Arte, 2005.

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VIEIRA, Luiz Renato. O Jogo de Capoeira: CULTURA POPULAR NO BRASIL. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.

 
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/33172/1/Capoeira-na-Educacao-Fisica-Escolar/pagina1.html#ixzz1ODmw2kIV

 

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Este blog foi criado pelos academicos da turma de Educação Fisica da Universidade Salgado de Oliverira - UNIVERSO BH. Voltado para a Educação Fisica Escolar e orientado pela professora Margareth Ambrosio. Semestre 01/2011
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